Entrevista com a performer e concorrente ao Prêmio Pipa, Michelle Mattiuzzi

“Viver sem pedir passagem”
Por Mi Medrado
Londres, 03 de agosto de 2017.
Michelle Mattiuzzi é formada em Comunicação das Artes do Corpo, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP; Tornou-se devir Musa em meados dos anos dois mil, numa cidade muito próspera localizada ao nordeste do Brasil: Salvador de Bahia. E foi daí que ela ganhou o mundo. Mattiuzzi, vive sem pedir passagem. Atualmente reside na Grécia onde participa do Programa de Residência Capacete em Atenas junto à Documenta 14. Em Atenas segue mirando e desobedecendo com orgulho e graça, fazendo outro corpo (referência à música de um cantor carioca).
Popular ela está concorrendo ao prêmio Pipa na categoria online (2017).

Mi Medrado: O que é arte contemporânea para você?
Michelle Mattiuzzi: Por meio da arte contemporânea, vejo a possibilidade de pensar assuntos acerca da decolonialidade, necropolítica, racismo e questões da filosofia negra. Não posso deixar de frisar que esse “mundo” que me cerca de possibilidades é cis supremacista, logo branco. Então penso que é um lugar passível de criar estratégias de como viver em comunidade. Ocupar esse “mundo”, é fazer uma retórica e desfazer a narrativa do opressor. Nós pessoas racializadas também criamos conhecimentos mesmo com brutalidade compulsória que a colonialidade expressa em nossas vidas.
MM: Como você acha que as telas/screen tem influenciado (para o bem ou mal) a performance no cenário brasileiro?
Michelle Mattiuzzi: Eu nunca tive uma exposição individual numa galeria/ museu. Meu trabalho em performance ao vivo, já esteve em coletivas. A minha produção foi idealizada nas ruas de Salvador e para democratizar o acesso às minhas produções as telas/screen foi uma saída.
MM: Diante aos raios da tela como você se define?
Michelle Mattiuzi é uma garota grosseiramente fofa, gosto de desobediência, vive as luzes do fracasso. (Des)empoderada lidera o crime desorganizado da vida. Viva corre o medo da morte. Em comunidade vive o patriarcado assolado pelo discurso coletivo. É preta, é mulher, e lésbica … vive nas ruínas sob a paisagem da desordem do mundo.
MM: Qual é a importância de ter mais artistas brasileiras pelo mundo?
Michelle Matiuzzi: São inúmeras. Eu poderia escrever algumas laudas sobre a importância de viajar, e ainda argumentar o que isso faz na cabeça de um ser humano qualquer. É claro, que tem inúmeras formas de fazer viajem. Mas penso que estar pelo mundo é necessário para perceber o abismo que a civilização promove durante os tempos.
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Michelle Mattiuzzi, concorre ao prêmio Pipa na categoria online (2017). Vote e confira o trabalho desenvolvido pela artista.